Nosso cérebro foi condicionado, por milhares anos de evoluçao,
a classificar e agrupar tudo o que acontece conosco em padroes. Assim nao
precisamos pensar para reconhecer se algo representa perigo ou se é um
alimento; se representa um risco ou uma oportunidade. Esta característica,
ligada diretamente ao sistema de "luta ou fuga", representou a sobrevivencia
da nossa espécie até bem pouco tempo, mas agora pode nos aprisionar em
uma contínua repetiçao do ontem.
Minhas amigas e meus amigos
Por um momento pense no que voce já fez hoje, principalmente naquelas atividades
automáticas e rotineiras, que voce nao precisa de muita reflexao para executar.
O quanto do que voce fez hoje foi exatamente igual ao que voce fez ontem? Voce
tem o hábito de avaliar o seu dia e se perguntar: o que eu poderia fazer um pouco
melhor amanha? Voce usa o seu dia-a-dia como fonte de aprendizado e autoconhecimento?
O avanço da Neurociencia nos revelou que em um dia normal, passa por nosso cérebro
cerca de 40 mil pensamentos. Felizmente nao percebemos a grande maioria desta
informaçao, 95% destes pensamentos ocorrem no nível do inconsciente. Parece pouco
provável que apenas 5% do que passa em sua mente seja notado, nao é mesmo? Pois
bem, esta marca nos fornecem incríveis 2 mil pensamentos para administrarmos
em nosso dia! Se voce dorme 6 horas por noite, ocorre em sua mente 2 pensamentos
conscientes por minuto! Fora os 35 pensamento inconscientes a cada minuto! Haja
equilíbrio mental!
A
informação mais desconcertante em minha opinião vem agora:
de todos estes pensamentos 80% é exatamente igual ao que você pensou
ontem!
É natural agirmos perpetuando nossos padrões, em muitos contextos isto facilita
a nossa vida, mas em outros pode significar frustração ou estagnação.
A genial frase de Einsten que tomei emprestado no título deste artigo expressa
formidavelmente o quanto nossos padrões podem nos atrapalhar.
Basta pensar em quantas oportunidades você persistiu tentando fazer algo,
e mesmo não dando certo continuou da mesma forma, repetindo os mesmos movimentos,
as mesmas tentavas. E como se fosse mágica, quando você mudou um pequeno
detalhe tudo deu certo. Já passou por isto não foi?
Seus padrões influenciam seus comportamentos, seus relacionamentos, suas
decisões, suas vontades e tudo mais que acontece em sua vida. Em todos os
momentos de sua vida eles estão presentes, seja um por vez ou vários
ao mesmo tempo.
Mas qual a utilidade desta informação?
A imediata aplicação deste conhecimento é começar a reconhecer
quais ciclos tem se repetido em uma base regular, avaliar se funcionam
bem, se for o caso escolher novas maneiras de realizar a tarefa e condicionar
estas novas escolhas até que se tornem automáticas.
Em outras palavras você vai gerir os seus padrões!
Vamos aos três passos para iniciar a gestão de seus padrões:
1- Identifique e nomeie
Quando damos um nome a alguma coisa passamos a reconhecer
sua existência e nos apropriamos daquilo. Ativamos um sistema em nosso
cérebro chamado “Percepção seletiva”, que em termos gerais, controla o
que “enxergamos” de nosso mundo. Lembra dos índices do começo do texto,
pois bem, não podemos perceber todas as informações disponíveis no nível
do consciente, por isso a percepção seletiva informa ao nosso cérebro o
que deve ser “visto”. E ao destacar os padrões como importantes, automaticamente
você vai começar a percebê-los. Ao tomar consciência de um padrão precisamos
passar para o passo 2....
2- Avalie e aperfeiçoe
Um padrão não é bom ou ruim, é apenas algo cíclico, repetitivo,
é uma resposta automática. Quando percebemos a existência de algo assim,
podemos checar se está gerando os resultados que queremos ou se está nos
afastando de nossos objetivos.
Digamos que você tenha tarefas que precisa se concentrar muito para fazer,
como elaborar um relatório por exemplo. Se todas as vezes que você iniciar,
e antes checar seus e-mails, e responder os mais importantes, e acessar sites
que colegas indicam, e encaminhar os mais interessantes e só então iniciar
seu trabalho, é provável que sua capacidade de concentração estará muito
baixa, e o relatório ficará bem mais difícil de ser terminado. Este padrão
definitivamente não contém a melhor estratégia para fazer relatórios.
É importante agora criar novas maneiras de executar a tarefa e testá-las.
No exemplo do relatório uma alternativa poderia ser desligar a internet e
separar 1 hora para trabalhar sem interrupções. Outra poderia ser determinar
alguns horários específicos para checar a caixa postal.
Com algumas boas alternativas testadas vá imediatamente para o passo 3...
3- Condicione
Novos hábitos não são fáceis de iniciar, no início precisamos
ter bastante força de vontade e determinação. É essencial um período de
condicionamento consciente dos novos padrões que, como em uma academia
de ginástica, vai exigir bastante esforço no começo, mas depois vai ficar
cada vez mais fácil manter o padrão.
No período de condicionamento é comum o antigo padrão voltar, e isto não
importa, desde que quando acontecer você esteja consciente e trabalhe para
que da próxima vez não aconteça.
Ao gerir nossos próprios padrões temos diversos benefícios, aumentamos significativamente
nosso autoconhecimento, transformamos nosso dia-a-dia em fonte de aprendizado
e sem dúvida alguma, melhoramos nossos relacionamentos em todas as áreas
de nossa vida. Deixar que nosso cérebro tome a maior parte de nossa decisões
no automático, apenas perpetuando nossos padrões é um luxo que não podemos
ter nos dias atuais e é garantia de frustração. Que tal passar a gerenciar
seus padrões a partir de agora?